A partir de 2026, o PIS/PASEP passa por uma mudança estrutural que afeta diretamente a rotina do Departamento Pessoal e o planejamento de benefícios nas empresas.
Embora o impacto não seja imediato, o novo modelo altera a forma de cálculo da elegibilidade e tende a reduzir, ao longo dos anos, o número de trabalhadores com direito ao abono salarial.

Para quem atua no DP, entender essa transição desde agora é essencial para evitar erros, ruídos com colaboradores e problemas de gestão no futuro.

O que muda na regra do PIS/PASEP?

A principal mudança está no critério de renda usado para definir quem tem direito ao benefício.

Critério de renda
  • Regra atual: tem direito ao PIS/PASEP quem recebe até 2 salários mínimos.

  • A partir de 2026: o limite passa a ser um valor fixo de R$ 2.640, reajustado apenas pela inflação (INPC).

Isso significa que o teto deixa de acompanhar automaticamente o salário mínimo.

Forma de atualização do teto

Hoje, como o salário mínimo costuma ter ganho real acima da inflação, o limite de 2 salários mínimos cresce mais rápido.
Com a nova regra, o valor será corrigido somente pelo INPC, sem aumento real.

Na prática, o teto passa a crescer mais devagar.

Efeito ao longo do tempo

No modelo atual, o crescimento do salário mínimo faz com que mais trabalhadores acabem se enquadrando no direito ao abono.
Com o novo formato, ocorre o oposto: o salário mínimo tende a subir mais rápido que o teto do PIS/PASEP.

O resultado é uma redução gradual da base de trabalhadores elegíveis.

Limite definitivo após a transição

A regra prevê que, ao longo da transição, o teto reajustado pela inflação será mantido até que ele equivalha a 1,5 salário mínimo real.
Quando isso acontecer, esse será o limite definitivo para acesso ao benefício.

Prazo de transição
  • A mudança será gradual, ao longo de aproximadamente 10 anos.

  • A conclusão está prevista por volta de 2035.

Ninguém perde o benefício de forma imediata, mas o acesso será cada vez mais restrito com o passar do tempo.

Impacto direto para o trabalhador

Do ponto de vista do colaborador:

  • Não há perda automática do direito em 2026.

  • Porém, trabalhadores que hoje recebem próximo ao limite podem deixar de se enquadrar nos próximos anos.

  • Ao final da transição, apenas quem receber até 1,5 salário mínimo terá direito ao abono.

Esse cenário pode gerar dúvidas, frustrações e questionamentos direcionados diretamente ao DP.

O que essa mudança exige do Departamento Pessoal?

Para o DP, essa nova regra cria pelo menos três frentes claras de atenção.

1. Mapeamento contínuo de elegibilidade

Será cada vez mais importante:

  • Monitorar a faixa salarial dos colaboradores em relação ao teto corrigido pelo INPC.

  • Ajustar relatórios e controles para identificar quem entra ou sai do critério ao longo do tempo.

  • Garantir que as informações enviadas aos sistemas oficiais estejam corretas.

Sem esse acompanhamento, o risco de inconsistências aumenta.

2. Comunicação clara com os colaboradores

Um dos maiores desafios será a comunicação.

Muitos trabalhadores associam o direito ao PIS/PASEP diretamente ao salário mínimo.
Com a nova regra, isso deixa de ser verdade.

Cabe ao DP:

  • Explicar que o critério passa a ser um valor fixo, não mais múltiplos do salário mínimo.

  • Evitar a percepção de que a empresa “retirou” um direito.

  • Antecipar dúvidas antes que virem conflitos.

Transparência será essencial.

3. Planejamento trabalhista e de benefícios

A mudança também impacta o planejamento interno das empresas.

O DP precisará:

  • Considerar o novo cenário nas análises de custo de pessoal.

  • Avaliar impactos em cargos e faixas salariais próximas ao limite.

  • Alinhar informações com RH, jurídico trabalhista e contabilidade.

Quanto mais cedo essa mudança for incorporada ao planejamento, menor o risco no futuro.

Antecipação é a chave para 2026

A nova regra do PIS/PASEP reforça um ponto importante: o Departamento Pessoal vai muito além da folha de pagamento.
É papel do DP antecipar cenários, interpretar mudanças legais e transformar regras complexas em informações claras para a gestão e para os colaboradores.

Quem começa esse acompanhamento desde agora estará muito mais preparado para 2026 e para os próximos anos de transição.